Presidente de Turismo do Brasil sobre o Rescaldo dos Jogos Olímpicos do Rio

Mais de 56% das chegadas ao Brasil para os Jogos Olímpicos de Verão Rio 2016 estiveram de visita ao país pela primeira vez, de acordo com uma pesquisa divulgada esta semana pelo Conselho Brasileiro de Turismo.

Além disso, os 541 mil turistas internacionais que entraram no país de 1 de julho a 15 de agosto representam um aumento de 157 mil pessoas em relação ao mesmo período do ano passado. Parte disso deve-se à isenção de visto para os visitantes dos Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália, que foi implementada especificamente para os Jogos. A isenção de visto afectou 74,7% dos estrangeiros que vieram ao Brasil para assistir a eventos desportivos olímpicos.

Como esperado, a atenção dos meios de comunicação social durante os primeiros Jogos Olímpicos da América do Sul centrou-se fortemente em escândalos de corrupção, criminalidade, poluição, soluços operacionais, os erros de certos membros da equipa de natação masculina americana e outros desafios dentro e fora do Parque Olímpico do Rio.

Muito menos atenção foi dada às tensões sob as quais estes Jogos se desenrolaram.

A economia brasileira em 2016 está muito distante da de há sete anos, quando o Brasil ganhou a sua candidatura à organização dos Jogos e os preços do petróleo foram exponencialmente mais elevados. Na altura, o Brasil rico em petróleo estava posicionado como um dos países do BRIC que se esperava emergir em algo que se assemelhasse a uma economia do Novo Mundo.

Com uma queda tão acentuada nos recursos para financiar os Jogos Olímpicos Rio 2016, é de certa forma uma prova para os organizadores, que reuniram o que, para todos os efeitos, foi um evento muito bem sucedido, dadas as circunstâncias. Ainda assim, de um modo geral, os Jogos Olímpicos Rio 2016 serão muito provavelmente mais recordados em Sochi do que em Seul.

Olhando para o futuro, a grande questão do ponto de vista do turismo gira em torno de como a exposição mundial durante os Jogos moldou a percepção do Brasil como um destino de viagens de lazer e negócios.

A imagem constante da Praia de Copacabana e do Pão de Açúcar foi um longo caminho para imprimir uma das mais belas cidades do mundo na mente dos viajantes de todo o mundo.

Para construir sobre essa imagem positiva, o Turismo Brasileiro está promovendo sua nova pesquisa na tentativa de mostrar uma visão mais empírica da percepção do público. De acordo com a pesquisa:

“1.262 visitantes internacionais foram entrevistados entre 6 e 18 de agosto para a pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), e 4.150 brasileiros também foram entrevistados entre 3 e 16 de agosto para a pesquisa desenvolvida pela GMR Intelligence & Research”.

Os inquiridos classificaram a hospitalidade do Rio como a mais elevada na pesquisa, recebendo 98,7% de aprovação de turistas internacionais e 92% de brasileiros. Em seguida, 94,6% dos visitantes aprovaram os aeroportos, e 86,6% aprovaram os transportes públicos.

“A melhor classificação de todas foi a hospitalidade brasileira dos cariocas, que mostra que a experiência turística do Brasil vai muito além das praias”, disse Vinicius Lummertz, presidente da Diretoria de Turismo do Brasil, à Skift. “Por isso, a exposição valeu o risco de sediar um evento tão importante como os Jogos Olímpicos, diante da crise política e econômica em curso. A experiência classificou muito bem, sobretudo devido às expectativas mistas que antecederam o evento”.

Rapidamente depois que o Rio ganhou sua candidatura à sede dos Jogos, o governo brasileiro lançou uma estratégia agressiva para reduzir a criminalidade nas comunidades de favela empobrecidas e nos bairros de turismo popular. E então, durante os Jogos Olímpicos propriamente ditos, havia 88 mil policiais e militares à disposição para garantir aos visitantes e telespectadores que a cidade estava segura.

Mas e agora, depois dos Jogos? Perguntamos a Lummertz como a cidade vai enfatizar a segurança sem as imagens da polícia em guarda-costas patrulhando as ruas.

“Isso também aconteceu em Londres, quando trouxeram segurança adicional”, respondeu, rejeitando a ideia de que as forças militares trazidas especificamente para os Jogos eram agora necessárias. “A taxa de homicídios no Rio caiu para metade na última década”. Não sentimos que tenhamos terminado o trabalho, mas o futuro do Rio e do Brasil é baseado no sucesso da nossa segurança”.

Lummertz alinhou a situação no Rio com a de Miami há algumas décadas atrás, que evoluiu de uma cidade com uma taxa de criminalidade outrora elevada e um produto turístico de gama baixa para uma capital do turismo moderna e global. Estimulando essa evolução, disse ele, o novo aeroporto do Rio, novos hotéis, novas redes de transporte e muitas outras melhorias infra-estruturais estão a proporcionar uma experiência turística de maior qualidade.

Mais importante ainda, afirmou, 80% das melhorias da cidade foram financiadas pelo sector privado e o resto pelo sector público. Enquanto que “Londres foi o contrário”, inferindo que o futuro do Rio não depende do governo federal, que não dispõe de dinheiro.

“Todas as melhorias infra-estruturais devidas aos Jogos Olímpicos resultaram em dois Rios”, explicou Lummertz. “É o dobro da cidade que era”. O que foi feito nos últimos cinco anos, não teria sido feito nos 20 anos seguintes se não fossem os Jogos Olímpicos”. Isto levará a uma maior participação privada no desenvolvimento do turismo”.

O portal ainda está em desenvolvimento, uma vez que o conselho de turismo incorpora toda a amplitude das diversas experiências de destino do Brasil. Mas o país tem agora pelo menos uma plataforma digital para competir com os melhores sites de turismo do continente no Chile, Colômbia e Costa Rica.

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